Portugal
Macau e São Tomé e Príncipe firmam acordo anti-lavagem de dinheiro
Macau e São Tomé e Príncipe assinarão um acordo para trocar informações e reforçar a luta contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo.

Contexto e Detalhes
Em 24 de agosto de 2026, a Região Administrativa Especial de Macau e a República Democrática de São Tomé e Príncipe formalizaram um memorando de entendimento (MoU) que estabelece a troca de informações sobre transações financeiras suspeitas, visando prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo. O acordo faz parte de um esforço mais amplo de ambos os territórios para alinhar-se com os padrões internacionais definidos pela Financial Action Task Force (FATF) e melhorar a transparência no seu sistema bancário.
Macau, que tem sido um hub financeiro regional desde a sua abertura ao comércio internacional, tem enfrentado pressão crescente para reforçar a sua regulação de combate à lavagem de dinheiro. Em 2023, o Conselho de Regulação Financeira de Macau introduziu novas regras sobre a identificação de clientes (KYC) e a notificação de transações suspeitas. Por outro lado, São Tomé e Príncipe, cuja economia depende fortemente de exportações de café e petróleo, tem sido classificado como território de risco médio pela FATF, o que limita o acesso a mercados financeiros internacionais.
O acordo prevê a partilha de relatórios de atividades suspeitas (SARs), a troca de dados de clientes e a colaboração em investigações transfronteiriças. "Esta parceria é um passo decisivo para proteger a integridade do nosso sistema financeiro e garantir que ambos os países cumpram as normas globais", afirmou o Chefe de Estado de Macau, Liu Li‑Zhi, em coletiva de imprensa.
Impacto e Reações
Especialistas em compliance indicam que a assinatura do MoU reduzirá o risco de sanções internacionais e facilitará o acesso a linhas de crédito externas. O Banco Nacional de São Tomé e Príncipe já anunciou que revisará a sua política de due diligence para incorporar os requisitos de informação de Macau.
Empresas de capital de risco, que observam a região de Macau como um porto seguro para investimentos em fintech, virão a notar a maior robustez regulatória. "Com uma cooperação tão sólida, podemos explorar novas oportunidades de fintech que atendam às necessidades de ambos os mercados", declarou Maria Silva, CEO da venture capital Atlantic Ventures.
A comunidade internacional, incluindo a Comissão Europeia, elogiou a iniciativa como um exemplo de cooperação entre territórios com perfis financeiros distintos. A União Europeia reforçou que a adesão a padrões FATF é essencial para evitar a exclusão financeira.
Perspetivas Futuras
Os analistas prevêem que a colaboração poderá estender-se a outras áreas, como o combate à evasão fiscal e à corrupção. O próximo passo, segundo o Ministério das Finanças de São Tomé e Príncipe, será a assinatura de protocolos de formação conjunta para as agências de regulação.
Além disso, a parceria pode impulsionar a integração de São Tomé e Príncipe na economia digital, com a possibilidade de licenciar soluções de blockchain para rastrear transações financeiras. Macau, por sua vez, pretende usar o acordo como plataforma para demonstrar a sua estabilidade regulatória em negociações com investidores asiáticos.
Em suma, o acordo anti-lavagem de dinheiro entre Macau e São Tomé e Príncipe representa um marco significativo na luta global contra crimes financeiros, demonstrando que a cooperação transnacional pode superar diferenças geográficas e económicas para criar um ecossistema financeiro mais seguro e transparente.
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