Portugal
Alga invasora nas praias portuguesas: ameaça à biodiversidade e potencial comercial
Uma alga invasora tem colonizado as praias portuguesas e espanholas, ameaçando a biodiversidade local e bloqueando potenciais usos comerciais devido à legislação ambiental.

Contexto e Detalhes
O primeiro sinal de invasão apareceu em agosto de 2023 na costa de Vila Nova de Milfontes, onde pescadores registaram um espesso tapete verde que não correspondia às espécies nativas. A alga, identificada como Caulerpa cylindracea, cresce rapidamente, formando uma camada de até 30 cm de espessura que cobre seixos, corais e vegetação marinha. Em apenas seis meses, o fenómeno espalhou‑se para a costa espanhola, atingindo as praias de Tarifa e Almeria.
A propagação da espécie se deve a duas características: sua capacidade de frutificação a partir de fragmentos e a tolerância a uma ampla faixa de salinidade. As autoridades marítimas de Portugal e Espanha colaboraram para mapear a extensão do problema, usando drones e trawls de baixo impacto. O relatório preliminar indica que mais de 150 km de praia estão cobertos por Caulerpa, com risco de alterar ecossistemas de recifes de corais e zonas de manguezais.
Impacto e Reações
Os ecossistemas costeiros têm sofrido perdas significativas. A alga desloca a vegetação marinha nativa, reduzindo a disponibilidade de alimento para peixes e crustáceos. Estudos de biologia marinha apontam uma queda de 35 % na diversidade de espécies em áreas infestadas. Além disso, a cobertura de algas dificulta a realização de mergulhos e atividades de turismo, afetando a economia local.
Reações rápidas foram desencadeadas pelo Ministério do Ambiente, que convocou uma mesa técnica de 12 especialistas. A proposta inicial era criar um programa de remoção manual, mas o custo estimado ultrapassa 5 milhões de euros. Em paralelo, grupos ambientalistas pressionaram pela adoção de medidas de controle biológico, como a introdução de predadores naturais, embora o risco de desequilíbrios adicionais seja elevado.
Perspetivas Futuras
Do ponto de vista econômico, a alga tem potencial para ser valorizada como matéria‑prima. Em Portugal, a produção de bio‑etanol a partir de Caulerpa já foi testada em pequena escala, com rendimentos de 0,8 litros por metro cúbico. No entanto, a legislação ambiental, em vigor desde 2019, proíbe a colheita de espécies invasoras sem autorização específica, pois o risco de propagação inadvertida é elevado. A lei prevê sanções de até 50 mil euros por infração.
Apesar das restrições, alguns empresários veem oportunidades de inovação. Em 2024, a startup “AlgaeTech” anunciou um projeto de pesquisa financiado pelo Horizonte Europa, que visa transformar Caulerpa em ingredientes cosméticos. A proposta depende de um regime regulatório que permita a extração controlada. Caso seja aprovado, o investimento de 2 milhões de euros pode gerar 15 mil empregos em Portugal e na Espanha.
A perspetiva a longo prazo exige um equilíbrio entre conservação e exploração sustentável. A estratégia recomendada pelos especialistas inclui a monitorização contínua, a educação ambiental das comunidades costeiras e a investigação de métodos de erradicação. Se bem implementada, a gestão da alga invasora pode preservar a biodiversidade enquanto abre novas verticais de crescimento económico, cumprindo ao mesmo tempo os compromissos climáticos europeus.
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