Chapo afasta risco de rutura total de combustíveis em Moçambique, mas crise global persiste
O Presidente moçambicano garantiu que o país não enfrenta rutura total de combustíveis, atribuindo as escassezes locais a fatores geopolíticos internacionais e afirmando que o reabastecimento está a ser gerido ativamente.

Contexto e Detalhes
O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, abordou recentemente a crescente preocupação nacional relativa à escassez de combustíveis, afirmando que o país não corre risco de rutura total. Durante uma conferência de imprensa realizada no final da sua visita de trabalho à província de Gaza, no sul do país, Chapo explicou que as dificuldades de abastecimento que têm sido sentidas em várias regiões são reflexo de uma crise de alcance mundial, particularmente agravada pelo conflito no Médio Oriente. O chefe de Estado destacou as perturbações na circulação de petróleo através do estreito de Ormuz como um fator crítico que afeta o fornecimento internacional, situação que se reflete diretamente nos postos de abastecimento moçambicanos.
Segundo o Presidente, o Governo tem trabalhado ativamente para gerir estas situações localizadas de escassez, garantindo que os períodos de escassez são efetivamente temporários. "O que nós temos feito é realmente gerir esta crise. Tem havido um ponto que durante um dia há escassez, mas logo depois consegue-se repor", afirmou Chapo, sublinhando que o executivo está atento e está a repor os stocks regularmente para evitar uma paralisação maior.
A comparação com a pandemia da covid-19 foi outro ponto alto da intervenção de Chapo. O Presidente argumentou que as crises globais exigem uma capacidade de adaptação por parte dos governos e das populações, sugerindo que a atual crise energética deverá ser enfrentada mediante medidas de gestão e adaptação enquanto persistirem os fatores externos. Em agosto, o Governo já tinha anunciado a análise das causas de uma nova vaga de escassez, depois de o país ter passado por períodos de relativa normalização seguintes à crise de abril e maio, que tinha provocado filas extensas e ajustes de preços significativos.
Impacto e Reações
O impacto das recentes escassez tem sido sentido particularmente pelos consumidores e motoristas, com postos de combustível a fechar temporariamente e longas filas a formar-se nas unidades que ainda tinham stock. Entre abril e maio, a escassez de gasolina e gasóleo provocou filas de dezenas de viaturas e levou ao reforço da presença da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da polícia em postos de abastecimento, com o objetivo de garantir a segurança e controlar a afluência de automobilistas e consumidores munidos de recipientes. O Governo justificou o aumento dos preços da gasolina em 12,1% e do gasóleo em 45,5% em 07 de maio com a evolução do mercado internacional e as dificuldades de fornecimento decorrentes do conflito no Médio Oriente.
Apesar das tensões locais, a afirmação de Chapo de que "a rutura total de combustível ao nível do país não vai acontecer" tem como objetivo acalmar a população. No entanto, o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, admitiu anteriormente que o executivo tem conhecimento da situação, com postos encerrados sem combustível e filas para o abastecimento, assegurando que o Governo está a recolher informação para apurar as causas profundas do problema.
Perspetivas Futuras
Daniel Chapo manteve uma postura otimista relativamente ao futuro do abastecimento de combustíveis em Moçambique. O Presidente afirmou que, se o conflito no Médio Oriente terminar e o petróleo começar a circular normalmente pelo estreito de Ormuz, como acontecia anteriormente, é "absolutamente certo" que os preços dos combustíveis se estabilizarão ao nível mundial. Consequentemente, Moçambique também beneficiará dessa estabilidade.
A perspetiva de normalização geopolítica é vista como o principal fator para a resolução da crise. Enquanto a guerra não termina, o Governo continua focado na gestão ativa dos stocks e no reabastecimento constante, tentando mitigar os efeitos imediatos nas populações e no tecido empresarial que depende do combustível para as suas operações diárias.